sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Texto Cativante!

Solidão. Uma lágrima escorreu. Ele se sentia só. Em meio a muitas pessoas, ainda sentira falta de algo. Seu coração pulsava fraco,triste e sem vigor. Tudo o que ele queria era alguém que o compreendesse. Tudo o que precisava era de um abraço. À noite vagava sem rumo, seguia passo a passo para lugar nenhum, apenas ia em frente, não sabia o que encontraria. Tinha medo... outra lágrima. Desejou sumir. Olhou para o céu... as estrelas cintilavam tristemente em seus olhos molhados. Olhou em volta; nada viu. Ouvia apenas os grilos cantarem tristemente, vez ou outra um sapo coaxava baixinho, e por hora não se ouvia mais nada. Vez ou outra um rugido. Não era nada além de uma onça com depressão. Resolveu correr. Embrenhou-se mais ainda na mata que circundava a cidade. Encontrou uma clareira, de onde pontos luminosos surgiam a todo o tempo. Vaga-lumes. Muitos deles... alguns o rondavam como se viessem tentar alegrá-lo, mas o pobre rapaz, apesar de encantado com tamanho espetáculo no meio da floresta escura, ainda permanecia triste! Havia um lago, que refletia a lua e as estrelas. Era lua cheia, pôde ver seu rosto nas águas claras.Ele chorou. Era como se olhasse para sua tristeza e mergulhasse no vazio. Uma voz surgiu. Ele ergueu a cabeça emxugando as lágrimas e tentou identificar de onde vinha a estranha voz. De um arbusto, surgiu uma raposa vermelha. Com os olhos brilhantes, fitou o rapaz e dizia:
- O  que fazes perdido nesta mata? Somente os mais solitários a procuram!
O rapaz um tanto assustado com o animal se afastou. Com a voz meio trêmula dizia:
- Venho em busca do que a tempos procuro. Preciso encontrar o que me completa. Estou fugindo do que me faz mal!
A raposa, com um olhar penetrante foi se aproximando do rapaz que tentava se afastar , mas sentiu o tronco de uma árvore nas costas. Então a raposa disse-lhe.
 - Acomode-se meu rapaz. contarei-lhe uma história.
O rapaz, agora tranquilizado, ouvia atentamente a narrativa da raposa que parecia emocionada ao mencionar os fatos.
Ela contou-lhe da noite em que um estranho rapazinho, visitou-a numa plantação de trigo, não muito longe dali... perto de um jardins de rosas. Contou-lhe sobre a grande viagem daquele estranho menino que vinha de muito longe.
Terminada a narrativa, o rapaz se encontrava em pleno deslumbramento e reflexão. Olhava fixamente o lago e acompanhava os vagalumes que também pareciam ter ouvido a história e  agora punham-se a pensar junto com o rapaz...
Após alguns minutos de reflexão, perguntou a raposa:
- Ele cativou-te mas não voltara. Como pode ser feliz mesmo com saudade?
A Raposa, com um ar calmo, olhou nos olhos do rapaz e disse.
- Ele me cativou, eu o cativei. Estarei pra sempre na lembrança dele e ele na minha. Isso me basta. Pude ensinar a ele algo de bom, e com ele aprendi também. Toda vez que vejo os campos de trigo, lembro-me de seus cabelos esvoaçantes e então ele me vem à memória pra matar a saudade.
O Rapaz ainda aflito, mas agora mais tranquilizado e pensativo questionou.
 - Devo então cativar alguém?
A raposa respondeu:
- Sim. Tu tens que dar a chance para as pessoas te cativarem e tu cativares de volta. Assim nunca sentirá sozinho. Te digo o mesmo que disse àquele principezinho: Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas! Serás muito feliz se conseguires cativar alguém, é o que falta para que completes o vazio que se encontra dentro de ti.
O Rapaz oniricamente fitava o lago que refeltia a luz das estrelas e percebeu que logo amanheceria.
Virou-se então para se despedir da raposa mas ela havia desaparecido. Por alguns instantes percorreu o ambiente com os olhos em busca daquela que lhe ensinara coisas valiosas.
Voltou então pela trilha que viera, mas pensativo. Analisou sua mente em busca de lembranças e descobriu que havia cativado várias pessoas, mas que ele não havia dado oportunidade de ser cativado. Ele conhecera o amor a algum tempo, sofrera com ele mas aprendera muito. Conhecera outras pessoas, outros lugares...
Retornou para casa, deitou-se na cama, estava decidido a cobrir o vazio que lhe tomava a mente.
Lá fora clareava...
o Despertador tocou...
Era hora de acordar...
Sua mãe gritava:
- Acorda pra vida menino!! Está atrasado pra aula!
E ele balbuciou uma palavra...
CATIVAR...
em sua mente logo vieram as seguintes... SER CATIVADO!
Daquele dia em diante, nunca mais se sentira sozinho... tinha amigos, tinha amor! Em nenhum outro sonho encontrara a raposa, mas era eternamente grato a ela. Levou a vida intensamente, e cativou muitas pessoas... também muitas pessoas o cativaram... lamentável foi o dia de sua morte, mas ele foi em paz... havia sido cativado, havia cativado alguém... E ninguém jamais o esqueceu, e ele nunca esquecera aqueles que sempre estiveram do seu lado lhe dando força, e agradecia sempre, até mesmo pelas decepções que tanto o ensinara na vida. Descobriu, que a felicidade estava dentro dele, ele só precisava encontrá-la... Descobriu que às vezes devemos nos colocar em risco... Descobriu que " a dor é inevitável, o sofrimento é opcional*" e que sempre na vida devemos desprender 100% de esforço em tudo aquilo que há apenas 1% de chance... descobriu que "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há**"... Ser feliz depende da sua capacidade de transformar o ruim em bom... afinal "a vida é uma festa em que chegamos já começou, e vamos embora ainda não terminou!"...


*CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
**RENATO RUSSO


Dedico este texto a todos que me cativaram de alguma forma! Aos que acabei de conhecer, aos que conheço há tempos...

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